Enquanto bovinos, aves e suínos passam a vida gastando energia para vencer a ação da gravidade, peixes e camarões simplesmente flutuam. Pode parecer uma observação óbvia e irrelevante, mas se pensar sob a ótica da física, verá que existe uma diferença brutal entre a energia necessária para sobrevivência de animais terrestres quando comparada com animais aquáticos. Energia esta que vêm dos alimentos. Parte da energia dos alimentos é usada pelo animal para se manter, e parte para crescer e produzir proteína.
Peixes, camarões e moluscos usam muito pouca energia para a flutuação, locomoção e manutenção de sua temperatura interna, o que lhes garante uma maior conversão da energia contida nos alimentos que consomem em carne, alcançando uma altíssima produtividade.
Importância no panorama do abastecimento alimentar mundial
A aquicultura é a mais jovem, de mais rápido crescimento e a mais dinâmica indústria de produção de proteína. Cresceu mais de 6% na última década (2005-2015) e já ultrapassou os volumes produzidos pela indústria de carne bovina. Segundo relatório da Rabobank, em breve ultrapassará produtos da pesca e ovos, tornando-se a terceira maior indústria produtora de proteína do mundo, atrás apenas da criação de aves e suínos.
Rabobank é uma multinacional holandesa do setor financeiro, considerada líder global em serviços de financiamento para alimentação e agronegócios pelo mundo. Segundo Gorjan Nikolik, analista sênior da instituição, este crescimento é impulsionado, entre outros motivos, por uma crescente demanda por produtos saudáveis, como o camarão, que é caracterizado como fonte de proteínas com baixo teor de gordura e rico em ômega-3.
Nikolik salienta ainda que o uso eficiente de ração é uma das principais vantagens da aquicultura em relação a outras proteínas, pois a conversão alimentar é melhor quando comparada com as criações de animais “terrestres”.
Índice de Conversão Alimentar
Conversão Alimentar é uma medida de produtividade animal que é definida pelo consumo total de ração, dividido pelo seu peso médio. Este índice é usado para comparar a eficiência das diferentes criações.
Para bovinos de corte, são necessários cerca de 3,5 a 9 Kg de alimento para que o animal ganhe um Kg de peso vivo. Na criação de suínos, são necessários de 2,6 a 4,4, e na avicultura, a taxa é de 1,4 a 1,8 Kg de alimento para cada quilograma de peso vivo.
As criações de animais aquáticos possuem taxas de conversão mais vantajosas, o que significa dizer que é necessária uma quantidade menor de ração animal no processo de criação. No caso do camarão, são necessários de 1,1 a 1,9 Kg, já a criação de tilápias necessita de 1,2 a 1,6 Kg de ração para cada 1 quilograma de peso vivo.
Outro fator determinante para o crescimento da oferta de proteína animal de animais aquáticos é o tempo necessário no processo de criação. Enquanto um bezerro pode levar até 24 meses para entrar em regime engorda, são necessários apenas cerca de 5 meses para se obter uma “safra” de camarões criados em cativeiro. Nos cultivos semi-intensivos de tilápia-do-nilo, uma das espécies de peixes mais criados no mundo, o tempo necessário para conclusão do ciclo de criação, que ocorre quando atingem 400 a 450g, é de 6 a 7 meses. Nos cultivos intensivos, esse tempo é reduzido para 4 meses.
O papel da tecnologia
Vivemos uma era onde a tecnologia está presente em todas as áreas, principalmente na agropecuária. Seria impossível atingir níveis de produtividade atuais sem investimento pesado em tecnologia. Os investimentos que mais determinam resultados positivos são aqueles feitos nas áreas de genética, alimentação e equipamentos.
Um dos exemplos do importante papel da tecnologia na aquicultura brasileira é a qualidade dos equipamentos usados para alimentação automática nas fazendas de criação de camarões e peixes. Os alimentadores automáticos permitem distribuição uniforme, reduz a mão de obra e diminui o desperdício de ração. Além disso, podem ser programados para operar em horários e tempos adequados a cada ciclo de criação, tanto em situações com baixas como em altas densidades.
O desenvolvimento de equipamentos utilizados, não só na alimentação animal, mas em todo processo de criação, foi fator decisivo para que o Brasil alcançasse os níveis de produtividade atuais. Aliás, é importante que todos saibam que não existe pesquisa sem participação do poder público. Em outras palavras, eu, você e todos os pagadores de impostos, contribuímos para o desenvolvimento da agropecuária brasileira.
Ainda na área nutricional, estes investimentos são responsáveis pelo desenvolvimento de alimentos de alto valor nutricional e baixo custo, considerando características regionais de produção de matéria prima como milho e soja, bem como subprodutos da indústria de alimentos.
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Riding New Waves of Change in Aquaculture, Rabobank – Food & Agribusiness




