Depois que os primeiros casos de Covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus, conhecido como SARS-CoV-2, foram diagnosticados em animais de companhia, pesquisadores do mundo todo começaram a trabalhar para elucidar a importância destes animais no ciclo epidemiológico da doença, ou seja, descobrir se os pets poderiam transmitir a doença para as pessoas.
Relatos de histórias terríveis se espalharam nas redes sociais, dando conta de que pessoas estariam abandonando seus gatos à própria sorte na China, e até mesmo matando seus pets atirando-os pela janela, causou comoção entre tutores e principalmente veterinários e profissionais que trabalham todos os dias para cuidar da saúde destes animais.
Um dos maiores desafios que os cientistas encontram ao lidar com uma pandemia e a luta contra o tempo. Tudo é muito rápido e decisões importantes podem mudar o padrão da curva de evolução da doença, diminuindo ou aumentando o número de casos. Não há muito tempo para conduzir os estudos e os dados são escassos, afinal, pandemias ocorrem geralmente com doenças novas.
Felizmente, para os pets é claro, resultados iniciais mostraram que animais de companhia, incluindo cães e gatos, não tem papel importante na transmissão da doença. Segundo o Prof. Dr. Hélio Autran de Moraes, médico veterinário formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e diretor do Hospital Veterinário da Oregon State University, o risco de transmissão de pets para humanos é zero.
O que se sabe sobre coronavírus em hamsters
Para avaliar o risco de um animal doméstico contrair o vírus SARS-CoV-2 os pesquisadores utilizam procedimentos específicos. Um deles é a realização de experimentos in vitro, ou seja, realizados em laboratório, fora do organismo animal. No caso dos hamsters os resultados dos testes in vitro foram inconclusivos.
Outra técnica muito usada para saber se a infecção é possível, consiste em analisar a célula do animal do hospedeiro e descobrir se ela possui o receptor para o vírus. Para entender melhor, imagine um cadeado, que se abre com uma chave específica. O vírus possui uma determinada proteína que funciona como a chave, e a célula do animal possui uma molécula denominada receptora, que seria o cadeado. Esta investigação é feita através da simulação por computadores e, no caso dos hamsters, o resultado foi positivo, ou seja, a probabilidade da chave (vírus) se encaixar no cadeado (célula animal) é alta.
O próximo passo nesta investigação é a infecção experimental. Alguns animais saudáveis recebem uma carga viral, avalia-se os sinais clínicos durante um período, e mesmo que não venham a óbito, são sacrificados para realização de exames mais detalhados do pulmão e outros órgãos acometidos pelo vírus. Em trabalho publicado na revista Clinical Infectious Diseases, publicação da University of Oxford, do Reino Unido, em 26 de março, os pesquisadores concluíram que hamsters podem sim desenvolver a doença e manifestar sintomas semelhantes aos encontrados nos humanos, como a respiração rápida e perda de peso.
Você tem hamsters em casa? Fique tranquilo e siga as recomendações básicas
Embora os resultados preliminares indiquem que os hamsters são um modelo para o desenvolvimento da doença causada pelo SARS-CoV-2, não há absolutamente nenhum motivo para preocupação, basta seguir as recomendações básicas, amplamente noticiadas na mídia. O vírus é eliminado principalmente pelas gotículas de água expelidas pela boca durante a respiração, assim, mantenha a gaiola, comedouros e bebedouros sempre limpos. Se você usa alimentadores automáticos, revise-os e garanta que não há restos de alimentos depositados em partes inacessíveis. Uma atenção maior deve ser dada para as residências, ou criadouros, onde há a comprovação de um caso de Covid-19 entre as pessoas que frequentam o local. E caso seja esta sua situação, consulte um médico veterinário ao menor sinal clínico da doença nos seus animais.
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