O desejo de experimentar a convivência com um animal de companhia, muitas vezes, leva as pessoas a comprarem ou adotarem um cão ou gato sem antes considerarem questões importantes, tanto para o animal quanto para o tutor.
É importante saber que um forte elo emocional é criado logo nos primeiros dias de convivência, e ambos passam a desfrutar de momentos de descontração e alegria. Esses momentos felizes podem dar lugar a um sentimento de frustração e tristeza, na medida em que o tutor se vê obrigado a sair para o trabalho, ou mesmo se ausentar por vários dias, por uma viagem de trabalho ou de férias.
Como garantir qualidade de vida do seu pet quando você está longe?
É muito comum pensarmos nas tarefas do dia a dia, como alimentar, recolher as fezes, sair para um passeio com o animal e levá-lo ao veterinário. Essas são as obrigações mais fáceis de serem resolvidas. Podemos instalar alimentadores automáticos que garantirão o fornecimento de alimento na medida exata de sua necessidade; treiná-lo para fazer suas necessidades longe do local onde passam a maior parte do tempo; programar consultas periódicas ao veterinário; e separar uns minutos do dia para passeio pelas ruas do bairro.
Mas tudo isso talvez não seja o suficiente. Como veterinário clínico de pequenos animais, atendi vários cães com problemas comportamentais cuja origem estava, na maioria das vezes, relacionada aos longos períodos em que o animal permanecia sozinho, ou com pessoas que não lhe davam a atenção necessária.
O tutor deve encontrar maneiras de manter o animal com um certo nível de atividade, mesmo que não tenha ninguém com ele durante a maior parte do dia. O mercado oferece grande quantidade de brinquedos que estimulam o animal a pensar, a interagir e a gastar suas energias.
A melhor estratégia para uma ausência mais longa
Certamente vai chegar aquele momento em que o tutor tem que fazer uma viagem a trabalho, ou tirar aquelas tão sonhadas férias com a família. Levar o cão pode ser uma saída possível. Já os gatos são extremamente territoriais e certamente desenvolverão um nível de estresse preocupante.
A American Veterinary Medical Association (AVMA), uma das mais importantes associações de classe dos Estados Unidos, mantém um canal público para divulgação de orientações aos tutores de animais de estimação. Em artigo intitulado “Who’s in charge of your animal’s care while you’re away?”, que em tradução literal é algo como “Quem está no comando do cuidado da saúde de seu animal quando você está longe?”, apresenta algumas recomendações práticas e importantes.
Os profissionais da AVMA chamam a atenção para o fato de que, hoje em dia, computadores, celulares e a internet permitem manter contato permanente com as pessoas que ficaram cuidando das tarefas diárias, mas é preciso ter um plano para o caso de emergências médicas.
Algumas questões devem ser consideradas antes de partir em uma viagem de vários dias, como reservar recursos financeiros para cobrir custos com visitas ao veterinário, internações, exames laboratoriais e medicamentos.
Outro ponto importante, e que muitas vezes é negligenciado, é ter em mente que muitos procedimentos como anestesia e cirurgias só poderão ser efetuados mediante documentos de autorização devidamente assinados pelos responsáveis pelo animal.
O fato é que, a emoção quase sempre anda distante da razão. A experiência de ter um animal de companhia é extremamente gratificante para todos os membros da família, mas há um preço. E nem sempre representa um valor financeiro, muitas vezes há que se pagar com tempo, cabelos brancos, horas de sono e outras tantas moedas não convencionais.
Veja mais:
Who’s in charge of your animal’s care while you’re away? – AVM, Resources for pet owners




